sábado, 3 de setembro de 2011
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Húmus - Raul Brandão
Um livro que é uma reflexão, a duas vozes, sobre a angústia existencial, Deus, a vida e a consciência:
""Se Deus existe, se tenho a certeza que Deus existe e se interessa pela minha dor, esta vida transitória é um único minuto com a eternidade à minha espera. Tudo me parece fácil. Que exige o meu Deus? Que me reduza a pó e despreze a aparência? Tudo é vão diante da eternidade que me espera. O meu Deus enche o mundo. Só o meu Deus existe, e todo o resto no universo é tão pequeno e tão fútil, que reclamo mais dor, mais sofrimento, mais fome.(,..) Sou capaz de andar de rastro com a boca no pó, sou capaz de sofrer todos os tormentos, com a certeza de ver Deus. (,,,) Até à morte hei-de crer no que creio. Sem crer não sou nada - sem crer não existo - sem crer não compreendo a vida. Crer é uma necessidade absoliuta, um sentimento primário, a própria vida, sua razão e seu fim. tenho necessidade de Deus como do ar que respiro. Sem Ele a vida é desconexa e atroz; pior, é monstruosoa. Creio porque creio. Se a vida se reduzisse só a isto, a vida seria abjecta. Dentro em mim tudo me fala numa lei, numa lógica, numa razão de ser, num sentido. Eu vejo Deus, eu sinto Deus.
Mas se Deus não existe - se Deus não existe que me fica no mundo? Sou nada no infinito. Fui tudo - e sou nada, Leva-me a força bruta. (...) Se Deus não existe tanto faz gritar como não gritar. Não tenho destino a cumprir: saio do nada para o nada
(...)
Tens de existir por força. Tens de existir pelo que sofremos e pelo que criamos. És a única luz nesta escuridão cerrada, a única razão como verdade ou como mentira. Existe aquilo que eu quero que exista, é verdade aquilo que eu quero que seja verdade, aquilo que eu e os meus mortos transformamos em verdade. A fé é a maior de todas as forças desabaladas, mais viva que todas as vidas. Compreendo a inutilidade de todos os esforços e faço pela mentira o esforço que fazia pela verdade. Tenho de te manter à custa do desespero."
Em que o autor num final sofrido, algo confuso de um livro talvez mais repetitivo envereda por uma visão panetista da vida e do universo:
"(...) Só há um momento em que o compreendemos. Mas nesse momento já não podemos voltar para trás. É quando, fazendo ainda parte dos vivos, fazemos já parte dos mortos. Não só a sensibilidade é universal - a inteligência é exterior e universal. O universo é uma vibração. A vida é uma vibração da vibração. (...) O sonho completo é o universo realizado. (...) Cada alma é desmedida e trágica e vem desde os confins da vida até ao infinito da vida. (...) Cada ser é um ser completo e doitrado, atinge a beleza e Deus. As florestas já mortas, a luz das estrelas desaparecidas no caos - tudo aqui está presente. O esforço dos mortos, o sonho dos mortos, o reflexo da ternura, a mão que amparou, a boca que sorriu, levadas pelo vento que soprou há dez mil anos, aqui estão vivos. (...) O gesto esboçado há milhares de anos, e perdido, consumido, conseque hoje realizar-se, o grito que a morte calou numa boca ignorada, faz eco no mundo. (...) Todos os sonhos são realidades (...) Só os sonhos são realidades nesta noite quieta e caiada. (...) A morte já não tem a mesma significação. (...) Para que é que eu existo e tu existes ? (...) isto não és tu! isto não sou eu! isto é a vida temerosa, de que tu não representas senão uma insignificante partícula. Tu não és nada, a vida é tudo."
Uma "conclusão" que dá um um outro sentido e significado à frase de abertura do livro "Ouço sempre o mesmo ruído de morte que devagar rói e persiste" e a diversas outras passagens dos capítulos iniciais como "Tudo o que faço é um arremedo. Está ali outra coisa quando falo, quando me calo, quando me rio. E falo mais alto porque a ouço mexer" ou "É um erro supor que o homem ocupa um espaço limitado no universo: cada homem vai até ao interior da terra e até ao âmago do céu".
""Se Deus existe, se tenho a certeza que Deus existe e se interessa pela minha dor, esta vida transitória é um único minuto com a eternidade à minha espera. Tudo me parece fácil. Que exige o meu Deus? Que me reduza a pó e despreze a aparência? Tudo é vão diante da eternidade que me espera. O meu Deus enche o mundo. Só o meu Deus existe, e todo o resto no universo é tão pequeno e tão fútil, que reclamo mais dor, mais sofrimento, mais fome.(,..) Sou capaz de andar de rastro com a boca no pó, sou capaz de sofrer todos os tormentos, com a certeza de ver Deus. (,,,) Até à morte hei-de crer no que creio. Sem crer não sou nada - sem crer não existo - sem crer não compreendo a vida. Crer é uma necessidade absoliuta, um sentimento primário, a própria vida, sua razão e seu fim. tenho necessidade de Deus como do ar que respiro. Sem Ele a vida é desconexa e atroz; pior, é monstruosoa. Creio porque creio. Se a vida se reduzisse só a isto, a vida seria abjecta. Dentro em mim tudo me fala numa lei, numa lógica, numa razão de ser, num sentido. Eu vejo Deus, eu sinto Deus.
Mas se Deus não existe - se Deus não existe que me fica no mundo? Sou nada no infinito. Fui tudo - e sou nada, Leva-me a força bruta. (...) Se Deus não existe tanto faz gritar como não gritar. Não tenho destino a cumprir: saio do nada para o nada
(...)
Tens de existir por força. Tens de existir pelo que sofremos e pelo que criamos. És a única luz nesta escuridão cerrada, a única razão como verdade ou como mentira. Existe aquilo que eu quero que exista, é verdade aquilo que eu quero que seja verdade, aquilo que eu e os meus mortos transformamos em verdade. A fé é a maior de todas as forças desabaladas, mais viva que todas as vidas. Compreendo a inutilidade de todos os esforços e faço pela mentira o esforço que fazia pela verdade. Tenho de te manter à custa do desespero."
Em que o autor num final sofrido, algo confuso de um livro talvez mais repetitivo envereda por uma visão panetista da vida e do universo:
"(...) Só há um momento em que o compreendemos. Mas nesse momento já não podemos voltar para trás. É quando, fazendo ainda parte dos vivos, fazemos já parte dos mortos. Não só a sensibilidade é universal - a inteligência é exterior e universal. O universo é uma vibração. A vida é uma vibração da vibração. (...) O sonho completo é o universo realizado. (...) Cada alma é desmedida e trágica e vem desde os confins da vida até ao infinito da vida. (...) Cada ser é um ser completo e doitrado, atinge a beleza e Deus. As florestas já mortas, a luz das estrelas desaparecidas no caos - tudo aqui está presente. O esforço dos mortos, o sonho dos mortos, o reflexo da ternura, a mão que amparou, a boca que sorriu, levadas pelo vento que soprou há dez mil anos, aqui estão vivos. (...) O gesto esboçado há milhares de anos, e perdido, consumido, conseque hoje realizar-se, o grito que a morte calou numa boca ignorada, faz eco no mundo. (...) Todos os sonhos são realidades (...) Só os sonhos são realidades nesta noite quieta e caiada. (...) A morte já não tem a mesma significação. (...) Para que é que eu existo e tu existes ? (...) isto não és tu! isto não sou eu! isto é a vida temerosa, de que tu não representas senão uma insignificante partícula. Tu não és nada, a vida é tudo."
Uma "conclusão" que dá um um outro sentido e significado à frase de abertura do livro "Ouço sempre o mesmo ruído de morte que devagar rói e persiste" e a diversas outras passagens dos capítulos iniciais como "Tudo o que faço é um arremedo. Está ali outra coisa quando falo, quando me calo, quando me rio. E falo mais alto porque a ouço mexer" ou "É um erro supor que o homem ocupa um espaço limitado no universo: cada homem vai até ao interior da terra e até ao âmago do céu".
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
A queda do regime de Kadhafi
Não obstante Kadhafi e os filhos não terem, ainda, sido capturados e não terem cessado os combates em Tripoli, e parecem não haver quaisquer dúvidas de que o regime ditatorial líbio está a viver as suas últimas horas, naquilo que constitui um sucesso das forças rebeldes e da estratégia da NATO, mas sobretudo uma vitória do povo líbio que conquistou a oportunidade de construir uma sociedade livre e democrática.
sábado, 20 de agosto de 2011
Ler os Outros: Para onde fogem ? - Rui Herbon
"(...) há nostálgicos e há espertalhões que defendem seja o que for desde que sirva para manter o seu negócio. O que não há, entre as elites, é desinformados. Sabia-se o que era a RDA e sabe-se o que são Cuba, China, Síria, Arábia Saudita ou Irão. E, em caso de dúvida, temos o senso comum. Em que direcção fugiam os alemães? Isso diz tudo. Corriam do leste para ocidente e não ao contrário, assim como agora há quem vá de sul para norte, também por razões de liberdade, de justiça, de guerra e fome. Se nas escolas se explicasse a fundo em que direcção os povos fugiram ao longo dos tempos, talvez houvesse menos mal-entendidos e mais prevenção perante certos profetas."
(post publicado no Jugular)
(post publicado no Jugular)
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
As conclusões da cimeira franco-alemã
Numa cimeira em que rejeitaram uma vez mais quer a proposta de emissão de eurobonds (solução que levantaria muitos problemas que parecem, pelo menos nas circusntâncias actuais, como dificilmente ultrapassáveis) quer a ideia (mais razoável) de reforço dos recursos à disposição do FEEF, o presidente francês e a chanceler alemã vieram retomar pela enésima vez propostas que já foram por diversas vezes sendo aventadas: i) a inclusão obrigatória (?) de regras orçamentais nas constituições dos países da zona euro, ii) a criação de um "governo económico europeu" e iii) a criação de uma taxa sobre as transacções financeiras, medidas que deverão ser tomadas até ao fim do Verão de 2012.
Apesar da ausência de detalhes sobre qualquer das propostas - não é claro nem o conteúdo das regras orçamentais a incluir nas constituições, nem a forma como os países serão "obrigados" a incluir tais regras, nem muito menos o que sucederá se (quando) como é previsível essas regras não sejam cumpridas, como também não são claras as competências do "governo económico europeu" nem o formato e destino das receitas que essa taxa irá gerar - que impedem uma avaliação do respectivo alcance, tratam-se de medidas que pouco (ou nada) contribuem para a solução da crise das dívidas soberanas, deixando aparentemente exclusivamente a cargo do BCE (que tem estado bastante activo a comprar títulos espanhóis e italianos) a função de evitar que a "crise das dívidas soberanas" alastre. Uma estratégia de esperar que os problemas se resolvam por si próprios que dificilmente será sustentável, particularmente num contexto em que se está a assistir a um abrandamento do crescimento económico na Europa que tenderá a dificultar o "reequilíbrio" das situações orçamentais e a colocar pressão adicional sobre os mercados e o sistema financeiro.
Neste contexto, apesar de negativa, a reacção dos mercados (ajudada por notícias positivas do outro lado do Atlântico e pelo sucesso do leilão de bilhetes do Tesouro em Espanha) pode considerar-se como relativamente benevolente. Resta saber até quando durará o interregno de alguma acalmia - depois da forte turbulência das duas semanas anteriores - dos mercados financeiros.
Apesar da ausência de detalhes sobre qualquer das propostas - não é claro nem o conteúdo das regras orçamentais a incluir nas constituições, nem a forma como os países serão "obrigados" a incluir tais regras, nem muito menos o que sucederá se (quando) como é previsível essas regras não sejam cumpridas, como também não são claras as competências do "governo económico europeu" nem o formato e destino das receitas que essa taxa irá gerar - que impedem uma avaliação do respectivo alcance, tratam-se de medidas que pouco (ou nada) contribuem para a solução da crise das dívidas soberanas, deixando aparentemente exclusivamente a cargo do BCE (que tem estado bastante activo a comprar títulos espanhóis e italianos) a função de evitar que a "crise das dívidas soberanas" alastre. Uma estratégia de esperar que os problemas se resolvam por si próprios que dificilmente será sustentável, particularmente num contexto em que se está a assistir a um abrandamento do crescimento económico na Europa que tenderá a dificultar o "reequilíbrio" das situações orçamentais e a colocar pressão adicional sobre os mercados e o sistema financeiro.
Neste contexto, apesar de negativa, a reacção dos mercados (ajudada por notícias positivas do outro lado do Atlântico e pelo sucesso do leilão de bilhetes do Tesouro em Espanha) pode considerar-se como relativamente benevolente. Resta saber até quando durará o interregno de alguma acalmia - depois da forte turbulência das duas semanas anteriores - dos mercados financeiros.
domingo, 14 de agosto de 2011
sábado, 13 de agosto de 2011
Mon coeur s'ouvre à ta voix - Sansão e Dalila
Mon coeur s'ouvre à la voix,
comme s'ouvrent les fleurs
Aux baiser de l'aurore!
Mais, ô mon bienaimé,
pour mieux sécher mes pleurs,
Que ta voix parle encore!
Dis-moi qu'à Dalila
tu reviens pour jamais,
Redis à ma tendresse
Les serments d'autrefois,
ces serments que j'aimais!
Ah! réponds à ma tendresse!
Verse-moi, verse-moi l'ivresse!
Ainsi qu'on voit des blés
les épis onduler
Sous la brise légère,
Ainsi frémit mon coeur,
prêt à se consoler,
A ta voix qui m'est chère!
La flèche est moins rapide
à porter le trépas,
Que ne l'est ton amante
à voler dans tes bras!
Ah! réponds à ma tendresse!
Verse-moi, verse-moi l'ivresse!
(ouvir aqui)
comme s'ouvrent les fleurs
Aux baiser de l'aurore!
Mais, ô mon bienaimé,
pour mieux sécher mes pleurs,
Que ta voix parle encore!
Dis-moi qu'à Dalila
tu reviens pour jamais,
Redis à ma tendresse
Les serments d'autrefois,
ces serments que j'aimais!
Ah! réponds à ma tendresse!
Verse-moi, verse-moi l'ivresse!
Ainsi qu'on voit des blés
les épis onduler
Sous la brise légère,
Ainsi frémit mon coeur,
prêt à se consoler,
A ta voix qui m'est chère!
La flèche est moins rapide
à porter le trépas,
Que ne l'est ton amante
à voler dans tes bras!
Ah! réponds à ma tendresse!
Verse-moi, verse-moi l'ivresse!
(ouvir aqui)
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