sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

As razões para o meu voto em Cavaco Silva

No próximo domingo os portugueses serão chamados a escolher quem ocupará o cargo de Presidente da República (PR) nos próximos 5 anos.

Não tendo poderes executivos, que constitucionalmente estão atribuídos ao Governo a quem compete a condução da política geral do país e a gestão da administração pública, nem iniciativa legislativa, repartida pelo Governo e pela Assembleia da República, a CRP atribui ao PR poderes importantes. Além de ser, por inerência, o comandante supremo das forças armadas, o PR tem poderes importantes no processo legislativo nomeadamente através do veto político dos diplomas e da possibilidade de requerer a fiscalização preventiva da constitucionalidade, cabendo-lhe, ainda, nomear e exonerar o primeiro-ministro e os membros do Governo. E claro tem o poder de dissolução da Assembleia da República.

Não é, portanto, indiferente saber quem irá ocupar o cargo nos próximos anos. Na situação económica e social em que nos encontramos será, mais do que nunca, importante que o PR seja, sobretudo, alguém que seja capaz de criar as condições para que a condução política da nação se desenrole com normalidade. O que implica alguém que evite uma situação de guerrilha institucional com o Governo e a AR mas que simultaneamente tenha a capacidade política para encontrar as soluções mais adequadas no caso de, como é possível ou até provável que venha a suceder durante o mandato do próximo PR, vir a surgir uma crise política.

Ora, considero que Cavaco Silva é, de entre todos os candidatos, aquele que dá mais garantias de que terá o comportamento que julgo mais adequado às funções presidenciais. Não apenas pela sua experiência política, mas sobretudo porque é alguém que tem plena consciência da gravidade da situação que o país atravessa e o seu percurso político revela que não é um homem esteja disposto a arriscar o futuro do país e o seu lugar na história em nome de quaisquer interesses meramente partidários ou de facção.

Para além de ser o candidato que estará em melhores condições para moderar a natural ânsia dos partidos da direita em derrubar o Governo seja através da apresentação de uma moção de censura seja através do chumbo da proposta de orçamento. Tenho, igualmente, uma profunda convicção que uma vez eleito utilizará os seus poderes com moderação e em particular que apenas dissolverá a AR se tiver certeza de que o eleitorado confirmará a justeza dessa decisão, ou seja que das subsequentes eleições legislativas resultará não apenas uma nova maioria, mas uma composição do parlamento que permita governar com condições de estabilidade política.

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